Colheita que promete


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Colheita que promete

Nisto do vinho, e quando a lavra são previsões, premonições não fora o respeito pela ciência agrária, acabo a falar como um padre da serra no século XIX, esquecido o pó da biblioteca e salmos lançados à terra, alma da conversa de copo na mão.

Dizem os estudiosos da viticultura que a Região Demarcada do Dão vai ter um bom ano em 2026, pese embora eu, nestas coisas, usar da parcimónia nas promessas que em bebendo, só lá para Novembro, podemos ditar das sortes. E a agricultura é também isso.

A perspetiva técnica aponta para um aumento da produção a rondar os 5% em relação a 2025, acompanhado por uma subida clara na qualidade da uva. A explicação está no clima, um Inverno chuvoso e de temperaturas brandas encheu as reservas de água do solo, ao qual se seguiu uma Primavera quente e seca que adiantou o ciclo da vinha.

A somar a isto, o estado sanitário das cepas tem sido exemplar, sem dores de cabeça relevantes com doenças ou pragas. Como destaca Ana Rodrigues, coordenadora do Polo do Dão do CoLAB VINES & WINES: “A evolução do ano vitícola tem sido globalmente positiva e os indicadores recolhidos, até ao momento, apontam para uma vindima ligeiramente superior à de 2025”. E acrescenta ainda que “as condições climáticas registadas permitiram um desenvolvimento equilibrado da videira e uma reduzida pressão de doenças, fatores que sustentam esta previsão, embora a evolução das próximas semanas continue a ser determinante para o resultado final da campanha.”

O cenário antecipa uma grande colheita e vinhos de topo para o Dão, ainda que a última palavra pertença sempre ao tempo até ao momento do corte, quando a uva entrar na adega, episódios de calor extremo, stress hídrico ou contratempos no vingamento do bago podem sempre alterar as contas. Até lá, o futuro adivinha-se no céu, mas a verdade só se julga no copo. Esperemos pois então.

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