

Desde os seus quatro anos que o meu filho usa o olfato. Foi preocupação madrugadora, para quem nasce no Dão é crime não conhecer a Região e o que ela, generosa, nos oferece. Também nos preocupa a alimentação, carregamos no peixe e nas verduras. Cresce saudável e conhecedor.
Preceituados, alinhámos uma pescada, feijão verde, batata e ovo. Bom azeite, famílias curtas apenas podem ter uma almotolia e este tinha galega, da Beira Interior DOP, baixa acidez e bom unto para as batatas nadarem.
Foi nestes preparos que subi ao banco e deitei a mão à garrafeira, de pouca quantidade, de onde retirei o Titular Rosé 2022 com que decidi abrilhantar repasto austero.
Atraente na cor, um rosa frutado, fremente e arrebatado, não me dei mal com a escolha. A comidinha também não.
Produzido com Touriga Nacional e Tinta Roriz, ideias boas para evitar stocks desmesurados, foi sujeito a ligeira prensagem e com taninos camuflados.
Os 13º, diluídos na cor, brilharam com o azeite, resultado de um vinho pensado e estruturado.
A vindima de 2022 não foi tão alegre como o vinho, ciclo vitícola quente e seco, ondas de calor desde a Primavera e chuvas ao começo da vindima.
Também aqui a geografia ajuda, com os vinhedos a mais de 400 metros de altitude e as fragas de granito a acomodarem a frescura e acidez necessárias a bons vinhos. E este é-o. Seguramente.
Fazer brancos de uvas tintas é processo com poucos anos, mas que me entusiasma. E estas levaram pouca prensa, para reduzir a extração de cor. O mosto decantou, foi arrefecido que a fermentação esperou dia e meio, controlada, entre 15 e 17 graus centígrados. Na mesa, se estiver nos 8ºC, é muito rico e mineral.
Vinho jovem com boa acidez, estrutura e bons aromas. Eu, que o acho vivo e ainda jovem, diria que mais um ano à espera, cá em casa que nunca se sabe quando nos dá a lambarice, seria boa ideia.
Um excelente lote, um vinho estupidamente simples e um copo muito feliz.
Deite mais um. De três, por favor.





