

A estrada que leva a Silgueiros, por entre vinhas, muros de granito e viçosos prados, é dos caminhos mais belos que conheço para entrar nos vinhedos do Dão. Sim, Santar também, mas creio que, todos, ainda não apreendemos o extremo valor de Silgueiros. Uma e outra são o mesmo Dão, que se atravessa pela ponte que sobe a Póvoa Dão e, ao repente, lá estamos. Adiante que tenho sede.
O Foral de Silgueiros Tinto 2021 entrou em casa vindo do supermercado, por 2,5 euros e foi direto à mesa para acompanhar arroz de pato rico, com o dito desfiado, pimento, chouriço e salpicão no gratinado e golpe no copo. No interior, aroma, frescura, equilibrado e simples. Mas muito digno.
E este preço leva-me a conversa relha, porque vendemos barato. Uma ocasião, quando o part-time oficiava na segunda cooperativa onde trabalhei na vida, perguntei ao Miguel Oliveira, por quem nutro estima e amizade, como era possível. Margens pequenas, quantidade muita e vender. Claro que é possível extrair lucro, e que sim, escoar a produção e criar bons vinhos.
Este Adega de Silgueiros, merece o Foral, cor vermelho escuro, persistente no final. Já vamos à pinga, por ora abanquemos na Adega. A Adega Cooperativa de Silgueiros junta dois mil vitivinicultores, os tegões abrem sem cessar desde 1964 e é bom para o Dão ter vinhos a preços comodatos. Diria baratos até. Se percorrermos as prateleiras, eles lá estão.
Juntas, as vinhas somam 1.300 hectares, entre Lageosa do Dão e S. João de Lourosa. Num ano bom rendem 7 mil toneladas, o que dará, por certo e com largueza nas contas, meio milhão de garrafas, mais os bag e tudo o ademais.
Mas não é só vender muito, e Silgueiros tem peso, a Adega reúne a certificação IFS Food, que nos garante qualidade e segurança dos processos e produtos. Confiança, portanto.
Produzido com Touriga Nacional, Tinta Roriz e Jaen, passou tempo nas cubas do inox. Não lhe retiraram a juventude, dançaram com o carolino no arroz do pato, com cravinho, enchidos e vinho. Algum corpo, intenso no final, a remoer saudades.
De resto este é um tinto do Dão conceituado, mais lá fora que cá dentro, por erros de perceção.
A vindima de 2021 padeceu com as alterações climáticas, cada vez mais cedo, que não deixou de produzir largos almudes e boa qualidade no briol.
Na saída, os 13º ainda pediram queijo e um resto de broa, com a certeza que este é vinho que honra o Foral.






