

Grande Rota. O nome é reflexivo, a esconder aquele panorama, spot como agora soi dizer-se, que reservamos só para nós. Ou, noutros tempos e ainda nos de hoje, não construam a ponte. Lá temos São Jacinto para o demonstrar. Conhecida a cartografia, aponte-se-lhe bussola.
Este Grande Rota Reserva 2020 está maduro, lascivo e felino, taninos bem vincados, elegante e bem-comportado perante as carnes gordas, enchidos e hortaliças dos cozidos com que nos aprontamos para Viver a Quaresma. Traçou, ajudou ao desmoer, completou conversas e tornou-se vistoso.
Há muitos anos que sigo o vinho, ainda o Colares nos aparecia nas boas adegas. E foi na adega, na vindima, que comecei. Fiz-lhe duas, percebi-lhe o negócio, escrevi histórias para rótulos e até enchi contentores expedicionários. Apesar desta caminhada, a que no entretanto acrescentei formação profissional de escansão, ainda me intrinco nas cepas.
Estas suscitam-me curiosidade, 19,90 euros por um vinho em que 60% estagiou 12 meses em cubas de Inox, outros 40% passou um ano em carvalho francês. Dois anos a dormir o sono dos juntos em bom vidro e cá o temos. Premiado em vários concursos, graúdo e garboso nos seus 13,5º, fazem deste um vinho Distinto, camuflado em nome, afinal, profundo.
Vinhas em Fragosela de Cima, bem observado no mercado externo, divinal no contento do palato e um imbróglio que não destrincei. O contrarrótulo apenas menciona a Touriga Nacional, ela lá estava. O meu palato não as destrinça todas, mas no site do produtor e criador deste Grande Rota Reserva Tinto 2020 é explicado que se trata de um blend, com 85% de Touriga Nacional e 15% Tinta Roriz, o que explica o nariz atarefado. Adiante. Talheres e pinga no copo.
Há ali harmonia, sofisticação, um Grande Rota Reserva Tinto 2020 requintado. Sem perder sobriedade com excessos. Grande e dedicada cortesia para a mês.






