

Uma ponte e temos vinho. Lá ao alto, seguras as colheitas dos muitos próximos anos, em Gouveia. Cepas da Família Mendes Oliva, a balancear aos trezentos anos na caderneta predial da história. O Ponte Pedrinha já tem notoriedade, assinatura que garante que não vamos passar mal. Desde branco, doutas coisas. Só e apenas.
Moderno, trouxe com os seus 13º, Encruzado e Malvasia Fina. A acidez suportou os anos, sem perder frescura, mas a acentuar minerais. Sim, esse aroma denota-se nos vinhos, não escapa ao olfacto, permanece tranquilo se for bem maneirado. E este foi.
A Quinta da Ponte Pedrinha tem tido tributo, vinhos de altitude e este Branco 2021 merece tributo. Na mesa. Cheguei-lhe nacos de arouquesa, grelhados em chapa quente, gordos e suculentos, crescentes nas migas, chips que somos carnívoros e molha. Foi reparto bem-acondicionado na delicadeza do vinho. Acomodados. Eu, os secos e os molhados.
Autêntico e aromático, deixa-nos tranquilo, devagarinho, o final andando com macieza. E nós assim ficamos. Resplandecentes, com o untuoso do vinho gordo a escorrer pelo copo e a lembrar vinho, ainda lá no fundo do palato. E se as vitualhas escaparam, leve-o na mão, passeia-se, no fumo, no contemplar e até, pasmo, ao pensar.
Este Branco 2021 é moderno, genuíno, que merece atravessar a ponte romana. Amarelo citrino, bom de mesa, digno de grandezas.
Na altitude uma localização privilegiada na Região do Dão, a Quinta da Ponte reúne 57 hectares de vinha, sete das velhas e boas.
O Quinta da Ponte Pedrinha Branco 2021 é, felizmente, um vinho de lote, capaz de envelhecer em paz, treze graus de álcool que me levaram 8,95 euros a zaragatoar.
Leve, suava, mineral e fresco.
Autêntico.






