Príncipe do Dão Tinto 2022


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Príncipe do Dão Tinto 2022

O Príncipe do Dão Tinto, bem aviado nos supermercados da praça, é vinho límpido, cor granada, a quem os anos trazem brilho e vetustez, sem deixar de ser macio e de mostrar taninos bem afiados. São 4,41 euros, esportulados para vinho domingueiro e, assumo, merecidos. E em conta.

Sempre simpatizei com a União Comercial da Beira, aquela bonita estrada, instalações de tijolo vermelho, em Oliveirinha, com belo teatro ao lado. Creio que este, ou farei confusão, era o que antes se chamava Príncipe da Beira, em rótulo mais vermelho e vivo. Sigamos. As uvas chegam de mais abaixo, da Quinta do Cerrado, onde as macieiras foram empurradas pela chegada das vinhas, que hoje ocupam 15 hectares.

Abri-o manhã cedo, enquanto o lombo assava entretido nos 140ºC, ali ficou, abrindo lentamente. Temos hábito de aperitivar com brancos e rosés, antevi, contudo, que a carne ia pedir mais sustento. E lá chegou, depois de largadas os vinhos claros, ei-lo na mesa. Adulto, e responsável, portou-se à altura das circunstâncias e não desmereceu, apesar de ser vinho de grandes tiragens.

Elegante, gastronómico, namorou a carne do porcino, exigiu um arroz de bagos orientais e, de reforço, um belo feijão vermelho, untado de linguiça e bacon. Saber o que a mesa nos prepara, atiça bem o nosso nariz. São 13º, num lote que leva Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro Preto e, em certos anos, complementa com Jaen.

Vinhos de lote, que o Dão privilegia, com desengace completo das uvas, maceração prolongada, intenso de aromas, nota-se ali saber antigo. Um blend, lote bem conseguido, austero, vigoroso e acidez pronunciada, que alista ao palato, final longo. Que marca horas. No gongo, marmelada e queijo. Sem casqueiro. Volúpia a três. Apenas e só.

Vinhos e marca nascida em 1942, hoje já vão na quarta geração, quando Alexandre Henriques Martins fundou a empresa. Quatro décadas depois, compraram a Quinta do Cerrado. Hoje a União Comercial da Beira estende-se já a outra região deste Portugal vínico. Mas mantém berço e casa no Dão.

A dança do almoço foi fecunda, belíssima boda, simples, com um vinho que é Príncipe. Boa acidez, final longo e conversador. Não é pedir muito ao Domingo. Arrumei-lhe com uma bica, um bombom de bom, muito bom, aliás, chocolate preto e retomei-o.

Ali, no telúrico deste Inverno. E o Príncipe apreciou a merenda. Ele e eu. Mai-la chuva.

E fomos felizes. 

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