

Gosto da quinta e este Jaen, feito em bica aberta, é tudo quanto eu admiro. Mesmo nestes dias de chuva, quando ali tomo aperadeiro com desculpa de aprender e conversar quando tenho é sede.
Bica aberta é técnica de vinificação com a fermentação do mosto separada das partes sólidas da uva. Geralmente utilizado para brancos e rosés. Não foi nada mal, seus valentes, neste Jaen levemente esmagado, uvas sem pele, e vamos.
O Jaen, que creio ter andado ali por Trancozelos quando no século XII ali arribaram os monges, tem maturação bastante precoce, pouca acidez e pouca extração. Mas tem aqui boa figura, seus intrépidos e destemidos. E também produz muito.
O vinho chegou-me assertivo, limpo, bem vincado ao nariz, algum granito achego-me eu.
Com 13º graus que pedem companhia, fresco, bailou entre fumeiro, entrecosto, batata e hortaliça cozidas. Comida de Inverno, um “aferventadinho”, refrescado pelo Jaen.
Bonito de cor, límpido, aromático, este Vinha De Reis 2022 Rosé levou-me da carteira 14,78 euros e contrariou essa ideia de que o Jaen, a solo, é coisa aguada ou de baixezas alcoólicas. Nada como provar, beber e tirar a teima.
E 2022 teve vindima quente e seca, com ondas de calor desde a Primavera. Chuvas em Setembro, meteorologia incerta para boa fermentação. Ano de andar a ver, saber, acertar na data da vindima.
O Jaen acrescenta frescura, mas também traz estrutura. Um belíssimo e encorpado rosé, a pedir molhadura, copo largo e deixem-no abrir, mineral, também, e um final longo.
Desassombrado, este Vinha de Reis Rosé 2022 que ganhou bom calo com o tempo.






