

A vindima deste ano trouxe qualidade e mais produção. Trabalho e alguns extremos do clima não deixaram de apoucar as uvas, contudo há rosés, como este, com boa complexidade de nariz e boca.
Um rosé de tintos, em ano em que as vinhas atemparam mais cedo, seca e muito calor, depois chuvas que impuseram cuidados, na vinha e na adega.
Em tarde cinzenta, com uma baguete em mãos, sede na gargantilha e vasilha a reclamar conduto, atirei-o a namorar o frio.
Uma omelete de chouriço, umas rosca de presunto e um queijo, duro, destes velhos da Serra, a rilhar dentadura velha e atinamos. Entrou mando, doce e suave. Não é nosso amigo, é apenas de companhia.
Produzido com Tinta Roriz e Touriga Nacional, a minha Descoberta custa 6,95 euros na loja e apronta-se aos 15,5º e corre ligeiro.
A Casa da Passarella tem cerca de 100 hectares, 50 hectares deles são vinha, dividida em sete parcelas. Curiosa cabala para um vinho aprimorado, jovem, irrequieto. Mastiga e bebe e, upa, traz outra. Sim, temos destes vinhos, pragmáticos, dizem ao que vêm e aprontam-se. Que não faltem as vitualhas. Nem copos, ao fechado.
Um lote em perfeito conúbio, bom de entradas e merendas, quiçá de acalorar a meia hora, gabo-lhe a elegância da cor, que calibra o teor de álcool, coloca alguma acidez e boas vibrações. Feliz de quem o bebe.
Um vinho da Casa. Bom, e feliz, para os dias que correm.






