

Vem enrolado o tinto. E traz assinatura no rótulo, mas nem a franqueza me entusiasmou. Monótono. E viajado. A mim, percebo mas não gosto nem devia ser autorizado, inquieta-me ver um vinho do Dão ser engarrafado em Rio Maior e destinado à distribuição.
São três euros de vinho, com tudo para ser feliz, incluindo um bonito rótulo, deposito que deveria vir mencionado e rijo nos 13º.
Vai-se a ver, abre-se a garrafa e vem um ronceiro, uma coisa redonda, aos espasmos, aqui e ali um tanino mais solto, de resto, moleza. Remanchão e chato.
Um vermelho carregado, pouco espevitado e nada de nos inquietar. Uma doçura para acompanhar com suspiros. Não satisfez o naco de carne, nem os legumes.
Pesquisando e provando, descobri que é marca própria de supermercado, sem indicação de castas ou origem das vinhas. E este consumidor, e os que merendam na mesa comigo, são curiosos, querem saber, conhecer as histórias que o vinho conta. Não conta. Nada.
O engarrafador e o comprador das uvas prometem cumprir as tradições e características de cada região vinícola. Não me parece. Este é um vinho rodado, não há ali nada que me sobressalte. E a vindima de 2021, de trabalho e muita produção, também não terá ajudado.
Um pouco de madeira, aroma carregado, ou pesado, feito com Tinta Roriz, a 60%; o que explica tudo, mais 30 de Alfrocheiro e Touriga-Nacional a 10%. Os ingredientes estão certos, a receita desfasada.
O sabor, o trago e o palato…Não são precisos para este. Não conheço o pássaro do Bico Torto, sem que bico torto é condição que afeta alguns pássaros, causando uma deformação no formato e na textura.
Deixem-no ir.






