

“Leitão de mês, cabrito de três”. No forno, com todos os presentes chamados a homília domingueira. O sermão veio do Caramulo, um Cabrito da Serra, que eu confio, embora a cabeça, que come e se come, se regozijasse com o selo da denominação. Adiante. Distração minha.
O Morgado não é absolutista. É nobreza liberal cravada em garrafa fina, vermelho intenso, frutado, equilibrado e um final que, vai não vai. Mais garfo ou mais copo. Finezas, de taninos maduros, amadeirados, e toma-lhe 13, 5º. E bem.
Silgueiros tem luz bonita, sol e abrigo. E adega competente que me a tenho trazido na equipagem. Noutros dias, mudarei rumos, embora este sol de Inverno no Dão seja bucólico, telúrico quando vem nuvem atrevida, feliz e vadio. E vistas as serras, lá do Loureiro, vem-me esse montês, cabrito no barro preto, de Molelos carago, salsa e vinho.
A sesta a marinar na assadeira, fogo bravo e achegou-se à mesa vindo do forno, tostado e saboroso, carne silvestre, se me permitem o atavio. Nos salmos, um coro de batatas, grelos e arroz de forno, sem fressura que é difícil de se encontrar.
Com o vinho assim, metade Touriga Nacional, o cabrito lá lhe pressentiu o berço e mais 30 de Tinta Roriz e 20 do, meu, Alfrocheiro saiu um perfume, uma andança de boa mantença. A mesa dos longos e felizes dias.
É do chão que traz boa terra e melhores cepas, Silgueiros, é vila de viticultores. E na diplomacia, bons embaixadores.
E este aqui, e ali um resvalo, sobressalto na língua e haja conduto. E garrafas, que ele vem connosco ao fumo e à lareira. E nada mais que vamos, e muito bem, abençoados.
Grande Marechal-de-campo, este Morgado de Silgueiros Tinto. Um Reserva para dias alegres. Que não sejamos forretas.
Saibamos esconder uma garrafa, para lá voltar daqui a uns meses. Dos largos.






