

Soberbo. Mal chegou, arejou, esperou e verteu-se. Um vinho, as arestas do granito pelo bem que me soube, à antiga. Clássico se a escrita ficar mais bonita. Moderno e Cosmopolita, se formos do bem. Pantopolista, pelo rigor. Está ali o musgo, o começo. Bryophyta sensu stricto. A terra, o solo, a vinha.
Ligeiramente untuoso, delicado e, ainda assim, poderoso. Vinho, com taninos bem quinados, pregueados. Abençoadas uvas.
Musgo, Bryophyta sensu stricto, plantas de escassa altura. A biologia explica que “o gameta masculino é flagelado”. Leituras ácidas à parte, que extraordinária flagelação. Do aflito. Uma feliz atribulação no engenho de carregar o copo, largo, sempre largo.
Mourejou entre pataniscas de bacalhau generoso e migas de feijão frade. Orneou as favas, das congeladas, com cenoura da terra, bacon, chouriço, bom e tenro entrecosto e, upa, ainda filiou os bifes mai-las chips. Rodeou bem. E eu de contento.
João Cabral de Almeida tem geografia vasta. Argentina, Alentejo e Douro. E Dão com ele. Professor, enologia no matrimónio e elegia no saber criar bons vinhos. Bem hajas.
Em Oliveira de Barreiros, depois da Baiuca, lá estão as cepas, mais as uvas que compra onde sabe, mas anoto o assombro de Campo de Besteiros e o saber da altitude, no Alva. E vinhedos antigos. No Dão estará nas 30 mil botelhas.
Fresco, impetuoso ao primeiro golo, macio, vincado. É a terra, espartano, aqui inexorável na simplitude um vinho de lote. Haveria de haver mais informação no contrarrótulo ou no site, mas a comunicação no Dão ainda telegrafa.
Saboroso e sagaz. Um conservador, e clássico vinho, de um ano, 2022, com os três meses antes das vindimas a escaldar. Cinco euros e mais 90 cêntimos, mas não digam a ninguém, no supermercado e que botem cá mais. As que houver.
Este é vinho para vagamundo.






