Foi uma estopada, nestes dias de chuva e sol abençoado, que me levou aos caminhos do vinho. Já quase no final da caminhada, num dia de secos, após uma busca intensiva por uma bifana, resgatei a Anita e fui espreitar a vitrine. À galega. O balcão, os imediatos do comer, que azeitonas bravas e casqueiro chegam num instante. A vereda é antiga, ainda de outro balcão e refúgio para a sueca, os passos conhecidos.

Iscas de fígado, para mim com pimentos que tenho saudades do Zé das Merendas, petinga, polvo frito com polme, bacalhau em alta posta e simpatia. Eficiente e amiga. A Tasquinha do Brasileiro, hoje com poiso em frente à loja do cidadão nas vicissitudes do imobiliário, é ode à arte do petisco. Até nos singelos; a salsicha que o ganapo comia, a pedido da avó Clementina e supervisão do Pedro Fernandes, uma gulodice que o deixava feliz de estar ali, com os grandes à mesa da Taberna. Adiante que se me seca a boca. Mas adoro espreitar o que me espera. Queremos mais vitrines nas tabernas. E pipos de serviço livre.

Siga e coisas sérias. “Eu já sabia que não ia gostar desse vinho”, resposta franca de quem me conhece as birras. “Já o tinha provado e não apreciou”. Seja, obrigado Lúcia. Partamos ao desconhecido. Saltou um Madre de Água Encruzado, de 2020 a preço de colheita, cortesia da Sandra para aplacar a minha sede.
Comidas as petingas, molhado o casqueiro e a broa de milho no azeite e no alho, trinquei umas moelas e fiz-me, finalmente, a uma bela bifana, a transbordar de bom papo-seco trigueiro.
Que dizer do vinho, aliás, num bom hábito da restauração, trouxemos um quartilho ainda na botelha. O Encruzado, que não desassossegou o nariz da Anita, trouxe acidez, cor amarela-clara, pressente-se a mineralidade e as terras da montanha, mas tomei-o com pouco corpo.


Conheço a Quinta Madre de Água, estive lá por várias vezes, em Gouveia, mesmo nas faldas da Serra da Estrela, tem vinha, queijo, oliveiras e um belo hotel. Também pode ter sido do ano, 2020 foi extremado para a vindima, a viver uma pandemia, trabalho de ourives nas cepas e…bons vinhos. Este acompanhou, mas os 12,5º podem agradar a muito bom povo, mas, ao passar dos anos, chega-se cansado. Enfim, acompanhou e não apoquentou.
Voltando à Tasquinha do Brasileiro, obra da Ana e do Arnaldo e que as filhas perseguem com denodo, os petiscos são de ver, comer ou pedir. Mãos sabedoras na cozinha, de fogão e grelha e cócegas na barriguinha. Já a matutar nos dias em que acertamos passo e calha haver omelete de chouriço e salsa. Anita, pedes um tinto e queijo velho?






