Maria João Pé Franco 2017


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Maria João Pé Franco 2017

Pomada. Eis um termo raro, de precioso, que nos escapou no adjetivar do Gola Alta ao Chefe. E Grande Pomada é distintivo de alfinetar lapela. Distintivo e diapositivo. Significa um palato, ou as goelas se preferirem, que sabe apreciar de forma enxuta os vinhos. Treinado na farmacologia, saber prático, código que se transmite. E este chegou com essa cifra, telegrafada largas horas depois.

“Estou a acabá-lo. Não é com remédios. Grande pomada. Ontem já não estava em condições de achar nada. É muito bom!”.

Uma fluidez que está ali, no vinho, vivo, descarado, insolente. E, no entanto, já lá vão sete vindimas por cima, oito anos do tempo comum; que está aqui, ainda bem não, arriba aí.

Já volto à botica, para vos acrescentar cartografia, antes o vinho, fruta firme, taninos alicerçados, fresco, solto, uma acidez feita bussola, vai por aqui, prova e volta a beber.

Foi assim, que partilhei este Pé Franco que me impressionou. A mim e meu Primo, engenheiro que entende as estruturas. Entende e estende, que o vinho foi de viagem e não torna. Carreira boa, que trouxe redonda nota. E certeira. Agradeci, pessoalmente, ao feitor, por tão vivo vinho. E ao tanoeiro por tão grata memória. Duas bocas, a mesma certeza. Grande Pomada, nestes dias em que a ortografia merece combate.

A orografia também. Pé Franco, e cá me falta o professor Virgílio, anos a carrear Dão, que nós não soubemos merecer. Sim, o Dão também tem lágrimas e tristezas e era aqui que me encostava à pedra de mármore e pedia um copo de três. Duas sardinhas e broa de Vildemoinhos. Espreitei ao baixo do balcão, escrito a giz, “pé-Franco é um plantio de videira diretamente no solo, sobre as suas próprias raízes; muito comum antes da filoxera, em oitocentos. Não há enxertos e pronto. É um mimo à videira, árvore feita flor. Vitáceas.

Este ano de 2017, se bem se lembram, foi danado, diabo à solta e só as chuvas de outubro serenaram os lavradores. Honra e mérito, que aguentaram firmes na defesa da vinha. Bem-haja. Abrolhou em março, temperaturas altas no compasso, pintor em junho. Houve “Queima de S. João”, o temido escaldão. Menos, mas melhor vinho, bons açucares com uns gulosos 14º, qualidade formidável e fruta bem acentuada.

Tudo ali, na Quinta do Solar do Arcediago, principado da Maria João e Joaquim, casal que tem nesta marca merecimento e estória para ouvidos atentos.  E que ambiciona mais e melhor Dão. Como todos, em certos dias…Há ali Farol e saber.

As uvas são meio meio, Touriga Nacional e Tinta Roriz, ano e meio em pipos de carvalho, uma dúzia de semestres de botelha em pousio e vale, em loja, 90 euros. Honrados e merecidos, assinalando eu aqui a cortesia. Um vinho acarinhado, na garrafa, no estojo e no requinte. Sofisticado, simplicidade e charme. Porra, este vinho me encantou. Muito.

Desta parcela soltam umas 1100 garrafas, prodigiosas raízes que alimentam uvas tão perfeitas. Autêntico? Nem empáfia nem atrevido, está aqui. Beba-se e deixemos convencimentos.

Extraordinário vinho, podia embriagar-me contigo! E escrever em infindáveis carreiros.

Raro. Invulgar. E tremendamente bom.

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