O almoço trouxe-me as prodigalidades da região, vitela, cabrito e uma carne arouquesa na chapa. E bons brancos. Mesa feliz, esmoer imposto e eis-me a caminho do Centro Histórico de Viseu.
No casco velho, encontrei, já sem piano, porta antiga e franca. Vindo de almoçar, já refrigerado com uma belíssima aguardente honesta, virei-me a outra, antiqua aguardente.

A Antiqua é aguardente vínica velha, produzida pelos métodos tradicionais, veludo que amaciou no pipo e eu, logo no vislumbre do recordatório, as filas infindáveis de pipos das Caves Aliança que a produz.
Aliança, que eu tomava na esquina do Café Águia, na Casal Ribeiro, quando deambulava pela capital, ido ou vindo de rodoviária. Esta Antiqua é extra-seco, proveniente da destilação de vinhos de castas selecionadas da privilegiada região da Bairrada e foi engarrafada após prolongado envelhecimento em cascos de madeira de carvalho.


Das antigas e grandes reservas das Caves Aliança constituídas por aguardentes cuidadosamente preparadas nas suas próprias destilarias, soltam-se os pipos. Imensas aguardente a dormir o sono dos justos.
Com pena minha, o Dão tem apenas três aguardentes oficiais e aguarda o lançamento de uma outra. Mas há mais, muitas e boas, que não chegam ao retalho e restauração por via desse maldito imposto especial de consumo. E assim perdemos singularidades, que eu conheço, habituado que estou a fornecer fotografo amigo. E também temos de saber feito. Era capaz de ditar o mapa de memória, a começar no Castendo e a fugir ao Alva, onde estão essas preciosidades, que os costumes tomam como proibida.

Seja, a Galeria 22 regressou à vida, hoje propriedade do meu amigo Silvério em cujas mesas amuralhadas franqueei conversas. Lá há disso, muito, digestivos, das aguardentes aos Portos, Tawny, talvez o mais apreciado. E muito mais.
Boas mesas, ótima esplanada, desfrutei ali de conversa e sabores, com uma aguardente vínica. Um coçar de barriguinha ou talvez, singela fidúcia em dia feliz.






