Cortiça


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Cortiça

Coleciono rolhas. Não todas, apenas as que me significam algo. Como o Chateaux de 1966 que bebi, regalado. Ou a do espumante quando a Anita fez 34 anos, ou a dos vinhos na profissão de Fé, o último almoço que tive com meu pai.

E assim, recebo a notícia com alegria. O Daniel enviou-me imagem das rolhas dos vinhos das Cepas do Salgueiral. É um bem preciso, a cortiça. E dá charme ao vinho. Botar nas garrafas tampas scroll up, que alguns mercados exigem, é disparate. Insulto, até. Mais ainda quando cheguei de vários países em que a rosca metaleira é o costume. Isso é bom para confundir zurrapa com vinho bom.

Eu compro vinhos com vedante de cortiça, é o charme, o prazer no manuseio do saca-rolhas. Se a botelha tem cortiça, vem, se tem screw cap, o meu scroll up, fica. Sim, sou um velho conservador progressista, com enorme raiva ao alumínio, não é preconceito, é escolhas. Quero lá saber da evolução do mundo. Há um estudo que me alerta para os perigos que corro. O mercado de rolhas de cortiça perdeu cerca de 20% de participação perante outras formas de se vedar as garrafas de vidro.

Utilizar a lata, é mesmo indicar que o vinho é reles. Seja ele muito bom, tem o defeito ali no topo.

A rolha de cortiça natural tem mais de 400 anos de tradição, a moda das screw cap arribou em 1970. Há um enorme esforço financeiro que constitui a escolha natural, rolhas, com elevados padrões de qualidade.

Poderia querer que a escolha fosse ditada por questões técnicas, mas são apenas uma tentativa, atabalhoada, de vedar a garrafa com o mínimo custo.

A rolha veda a garrafa para proteger o vinho, não deve interferir no sabor, embora aqui e ali os compostos químicos tricloroanisol, o vulgar TCA, ou sabor a rolha nos inquietem. Raro, e demonstrativo da falta de escolha de rolhas qualificadas.

A rolha natural permite a micro-oxigenação. Isso quer dizer que estamos a valorizar a evolução do vinho. E nem me falem das rolhas sintéticas, também andam por aí. Em bom rigor as screw cap oferecem menores taxas de entrada de oxigênio, a evolução do vinho é lenta. E as sintéticas permitem maiores taxas de entrada de ar, oxidação prematura.

A cortiça permite o movimento do vinho, evolução, acresce que são produtos naturais e biodegradáveis. Casca de sobreiro, árvore nacional deste país vínico. Embora alguns produtores comprem das sintéticas, feitas com sobras da maciça e das aglomeradas. A justificação é a de evitar a contaminação pelo TCA, raro a cada diz que passa. E eu não gosto do desenroscar, parece que vou beber um refrigerante.

Por isso não bebo vinhos do hemisfério sul, o famigerado novo mundo onde o produto europeu tem custo elevado e o alumínio já dança em mais de 90% das garrafas. Rolhas de cortiça, produzidas a partir de peças únicas de cortiça.

Rolhas tradicionais, elasticidade e baixa permeabilidade a líquidos e gases, assim envelhece bom vinho, sem riscos de oxidação.

Em suma, a rolha de cortiça natural de elevada qualidade é um matrimónio com o vinho. Boa escolha, Daniel, esse é o caminho.

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