Quinta dos Roques Rosé Colheita 2020


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Quinta dos Roques Rosé Colheita 2020

Entendo o vosso espanto, mas velho e rezingão que sou, aprecio os vinhos mais longevos. E este, um rosé feito por quem sabe, não me falhou. Fresquíssimo, em tarde de conversa, com um vermelho de boa cor, agradou imenso ao nariz e estava pujante, três anos depois de engarrafado. Topei-lhe a estrutura, bem alicerçada nos 13º, expressivo e uma mineralidade ligeira, nada exuberante, que me satisfizeram boca e peito.

A Quinta dos Roques é um produtor com lastro, sempre inovou e que esteve, com a Dão Sul, no arranque do novo Dão. Na posse desta família de viticultores, que creio vá agora na terceira geração, estão 35 hectares de vinhas modernas, três quartos tintos e o remanescente de branco, incluindo o Gouveio. Juntas, todas as parcelas, chegam aos 150 mil litros, nas proporções ditadas pela escolha das castas.

Em 1996, a Quinta dos Roques iniciou a produção de vinhos tintos varietais e começou bem, Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinto Cão e Tinta Roriz. Em 1998 foi o Encruzado.

Conto-vos uma história. Em 2015, a trabalhar em Vila do Bispo, conheci o Café Correia e o genro do fundador, José Francisco Baptista. Bom homem, franca amizade e melhor sabedoria. Depois de comido o frango da ordem, em bom tomate, acrescido o destilado, o José levou-me a ver a garrafeira. Milhões de euros, do outro lado da rua, em vinho e destilados. No sábado, no final do programa, estava à minha espera para me oferecer um Alfrocheiro, de 1997, creio. E isto porque, nos anos 90, a Quinta dos Roques entrou monocasta acima e percebeu o negócio.

Desse Algarve, trouxe a garrafa e a amizade de um homem, que infelizmente teve de fechar o café e, ainda hoje me intrigo, como soube ele das minhas preferências. O Alfrocheiro, bago miúdo e pouco sumarento, é um tempero absolutamente fantástico.

Siga, enxuguem-se as lágrimas da memória invocada, e peguemos na safra de 2020, pouco e bom. Vindima curta, verão com temperaturas elevadas, depois das chuvas do Inverno. Os vinhos, esses, chegaram com qualidade, elevados teores de açúcar, acidez e compostos fenólicos. Os tintos de taninos suaves, mais concentrados na cor e intensos. E isto importa porque este Quinta dos Roques Rosé Colheita 2020 foi criado com Alfrocheiro e Tinta-Roriz, o que explica o travo da fruta madura.

A prensagem foi suave, a gravidade ajudou na decantação e lá ficou o vinho, no inox, que lhe deu maior clareza. Sim o frio, também houve filtragem, faz bem ao vinho. O engarrafamento foi efetuado em meados de Março de 2021, esclarece a empresa, num site bem informativo a que calha, mal, ser apenas em inglês. Nada contra, tenho-o praticado, mas nem o navegador me faz a tradução automática.

Bebemos o vinho, vivaz e elaborado, frutos vermelhos, um toque mineral e um grito. Preciso de entreténs de boca. São assim, os vinhos excecionais.

Finos e prenhes de sabor. Este, comprado este ano, custou nove euros, em loja e mereceu-os.

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