Conheci-o, creio, em 2014, pela mão do Osvaldo Amado, já não sei se no Paço ou em Cabriz. Fresco é a primeira nota que se exige, quando chega à mesa. Complexo com frescura distinta, untuoso e bem equilibrado. Final longo e persistente. De sobremesa, pois, mas também entradeiro para quem é atrevido.


Foi o Osvaldo, amigo da família e grande senhor dos vinhos, que me explicou este deixar para depois a colheita. E assim, mal o Verão se abala, a podridão nobre assenta nas uvas perfeitamente maduras nos vinhedos. A Casa de Santar escolhe a tradicional monocasta Encruzado para a vindima tardia. É no final do Outono que colhem as uvas, ou passas se preferirem, uma bela cor dourada e, no copo, complexos e profundos aromas. As uvas secam na vinha por ação de um fungo, com manhãs de nevoeiro e tardes solarengas. Desidratadas as uvas, uma belíssima acidez para um vinho longo e de perseverança. E não se faz todos os anos. Clarificação natural, fermentação alcoólica, mexer das borras por seis meses, a battonage, e valentes 12 meses em barrica de carvalho usada.


O Outono de Santar, que nos traz os amarelos e castanhos de fim de Verão, é calmante e contemplativo. Nariz rico e complexo, de boca doce e corpo cheio.
Um vinho colheita tardia (o late Harvest dos ingleses), ganha maior concentração de açúcares naturais e sabores intensos. Este foi feito com desengace total, prensagem suave e aproveitamento de 20% do sumo de uva, que justifica os 46 euros que custa, em loja.

A produção de vinhos colheita tardia no Dão não é moda, felizmente, é saber que aproveita geografia e meteorologia. Ainda para mais, num ano, 2018, com Inverno, rigoroso e seco, escassa chuva até à Primavera, depois abundantes. Quem soube cuidar, teve vinhos gloriosos.
O Outono de Santar Colheita Tardia 2018 é um vinho de sobremesa de excelência, elegante. Cor palha aberta e límpida, 13º, fresco, untuoso, calibrado e um final longo. Porfiar que haverá mais. E no beber, meditar. Sim, isso também é o vinho.






