Pedra D’Orca Rosé 2022


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Pedra D’Orca Rosé 2022

Estava prometido o encontro, há vários dias, mas entre fechos e escritaria de reportagens, vinhos, quotidianos, o tempo escasseia, de modo que no ontem, regressado de mais uma reunião de trabalho em dia de sol, peguei no telefone e fui-me à base, pois o secreto que haverão de ver, ao vivo e a cores, nos próximos três dias, aqui mesmo. O Tiago Proença está a afinar o algoritmo e cá chegará. Adiante.

Sequioso, salta-me o Pedra D’Orca Rosé 2022, a frescura do Dão em botelha. Bem-apessoado, estiloso, regou conversa de velhos amigos que há muito não se cruzavam nas calles do burgo.

O Rosé, tem daquelas cores concupiscentes que nos faz querer bebê-lo logo ali. E foram algumas garrafas, vindas de uma das sub-regiões mais promissores deste Dão que, alguns, ainda tratam a polé. Produzido com uvas selecionadas de castas típicas da região, como Touriga Nacional, Tinta Roriz e Alfrocheiro, este rosé destaca-se pela sua frescura. Garboso e janota, muito guloso, com uns comedidos 12,5, confesso que sou fã da ideia do “tirem-me a pelicula” e escorram o sumo. Sim, um belo e honesto perfil aromático.

Cativante, no seu rosa, traz uma explosão de frutos vermelhos frescos, nuances florais e um pequeno toque cítrico. Leve, fresco e equilibrado, com uma acidez viva que lhe confere capacidade de envelhecimento, para um final de boca limpo e persistente. Refrescante, para tardes de sol e cavaqueira. Aqui está como os enólogos, e as suas ideias firmes, estão a criar uma, nova, geração de rosés, versáteis, modernos, sem perder a identidade regional, aliás bem vincada.

A vindima de 2022 na região do Dão foi marcada por condições climáticas desafiantes, mas que, paradoxalmente, resultaram em vinhos de grande qualidade, embora com menor quantidade. Que abonda isso, bem sei rapazes e moças do vinho, o negócio que sustenta as mãos calejadas dos lavradores. Mas de vez em quando há que escoar stocks. Mas percebo-vos, aliás pergunto sempre pelo começo da manhã aos viticultores e a resposta é sempre idêntica: observar a meteorologia, consultar as previsões no computador. E 2021 foi caracterizado por temperaturas elevadas e escassez de precipitação, o que levou a um stress hídrico, moderado, nas vinhas. Uvas de boa saúde, que não evitaram uma significativa quebra na produção, 20% a 30% abaixo da média. Mas, lá está, vinhos com boa estrutura, cor intensa e aromas definidos. Com a Touriga Nacional, sim fizemos as pazes, casta emblemática do Dão, com desempenho notável, maturações equilibradas e grande expressão fragrante, balsâmico para retomar conversas em atraso.

O Pedra D’Orca Rosé 2022, estes foram cortesia, mas em loja a botelha anda pelos 3,80 euros, e merece-os. Talvez até seja pouco para tamanha alma fresca e serena. Guloso e glutão. É o que vos digo.

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