O que andamos a beber?


Publicado por:

a

em

O que andamos a beber?

Água, às vezes vinho, expedientes. Não o certificado, o que bebemos do bag in box, para acompanhar a bifana, refrescar o cigarro ou olhar a paisagem.

O que bebemos não é português! “Vinho da UE”! Assim, escrito nos bags, para nos dizer que ele não tem origem nacional. E isto é uma lástima. O comprar por chegar à porta, quando os nossos lavradores produzem bom, também para o bag, Corga ou Adega de Penalva, por exemplo.

A ideia é parecer, pela marca, que é vinho produzido em Portugal, contudo, tal não acontece!

Foi um engenheiro agrónomo que me alertou, para o que eu já tinha notado nesta vida de estrada, que sempre reclamei, mas nunca escrevi.

O consumo destes vinhos com origem na UE está a contribuir para a crise dos produtores de uvas, viticultores e lavradores, um pouco por todo o país, porque os vinhos nacionais estão a acumular-se nas adegas. Colheita após colheita.

Os consumidores portugueses preferem os vinhos portugueses, no entanto, estão a ser “enganados” porque não verificam na embalagem a origem dos vinhos que compram!

De acordo com o relatório divulgado esta segunda-feira pelo executivo comunitário, a produção de vinho deverá ficar 10% abaixo da média de cinco anos, com uma quebra anual de 5%, para um mínimo histórico de 20 anos (137 milhões de hectolitros) no período de 2024/2025.

E nisto, já nem falo do comprar espanhol para destilar, perdemos nome, reputação e mercado.

Os vinhos de Portugal são de alta qualidade, muitas vezes premiados, autênticos, rústicos e genuínos. Feitos na adega, não nas fábricas.

Que custa a um café, para ter um vinho de serviço decente e com maior retorno financeiro, comprar local? Um país com este património ampelográfico pode dar-se a este luxo?

O vinho será, talvez e a fazer fé no que me diz o meu amigo, “dos poucos produtos agroalimentares que se o consumidor tiver a consciência que o vinho não é português, não o compra e não o bebe!”.

E tudo isto contribui para o desmantelar da lavoura, terra sem rendimento é fazenda que não cose. Se vem da EU, é misturada de vários países. E não custa nada verificar o rótulo.

Parece que a ganância chega a alguns comerciantes e produtores!

Será que deveríamos deixar de comprar vinhos a quem não ajuda os viticultores nacionais? Veja-se Viseu, onde e bares de nomeada, que deixei de frequentar por causa disso, têm agora de serviço vinho alentejano. Nada contra, em Portel há um dos meus vinhos favoritos.

Porém, até grandes marcas já produzem para a grande distribuição, ignorando que alguns consumidores, eu por exemplo, vou deixar de beber essa marca

Perdem as regiões, os produtores e as empresas, ignorando a mais-valia e o potencial de colocar no bag o nacional.

O código de barras nem é português. Até produtores com responsabilidade social, os que compram uvas no Douro quando todos abandonam a região, engarrafam para os lineares das grandes superfícies.

O preço não pode ser tudo. Vinho que vem de fora, passa nos nossos balseiros para ganhar um sumido aroma e toma lá tolo.

E é esta venda a responsável pelos stocks elevados nas adegas.

Antes o vinho do Vasco, um dos últimos lavradores a fazer vinho do produtor. São 3500 metros quadrados de vinha, às portas de Viseu.

Um país à mesa, com mercado à moda antiga e aldeias caladas sem o tilintar dos euros que já animaram a economia local e que hoje vivem do contrabando de sabores e saberes, que foge à formalidade e toca a informalidade. Burocracia, falta de aconselhamento e ausência de registo, estão a esvaziar a despensa nacional.

Carrinho0
Não há produtos no carrinho!
Continuar a comprar
0