Real vindima


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Real vindima

A Quinta dos Reis, situada em Viseu, é uma propriedade vinícola com uma história rica e longa, que remonta a meados do século XIX. A paixão pela viticultura está vincada nesta estória contada, dobrado que está o centenário, já se enchem cubas e tonéis.

Jabuticaba! Encontrei-a no acaso da estrada. Descia a Nacional 231, a caminho de Seia quando enormes letras me pediram atenção. Fui a Seia, vim e desci, atravessando o coração do Dão, uma das mais importantes regiões vitivinícolas de Portugal.

Telefonei ao Miguel Magalhães e marquei a conversa. E aqui retomo a jabuticaba, essa fruta nativa do Brasil, conhecida pela sua aparência e forma de crescimento peculiares. Converso, com Jorge Reis, palavras que acedem à memória, o tio republicano, a água tão necessária à feitura do vinho, a planta que o médico, e enólogo, “traz das várias viagens que faz”.

Também o epóxi, uma resina utilizada para vedar fugas e reparar rachaduras. E são muitas as que tapamos, sem esquecer a Jabuticaba, caminhemos pela Quinta de Reis, com olhos atirados à varanda, onde pedreiro e artesão grafou, a cinzel, o princípio dos princípios.

Um tio republicano, um entre muitos, sabendo nós que em Viseu, o movimento republicano no início do século XX ganhou uma força considerável, impulsionado por uma elite de intelectuais, profissionais liberais e figuras da burguesia local. O ideário republicano, figuras como o advogado Álvaro Monteiro, que se tornou um dos líderes do republicanismo no distrito, e João de Jesus Reis, médico e importante orador. Ainda antes do vinho, breve nota. Magalhães Coelho é sólida referência no Dão, trouxe a moderna enologia.

A “vindima já começou, algum mosto já está nas cubas de inox, haverá qualidade superior, porém menor quantidade”, atesta Miguel Magalhães.

A conversa é frutuosa, como a jabuticaba. Alberto Vilhena, salta-nos à memória, outro fazedor do Dão. Enorme contribuição para o desenvolvimento e a valorização dos vinhos. O legado é tão significativo que a Câmara Municipal de Nelas, um dos concelhos do Dão, criou o “Grande Prémio Engenheiro Alberto Vilhena”, um concurso anual que premeia os melhores vinhos do Dão. Nelas é também poiso do Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão, casa de saber e onde foram recuperadas castas autóctones da região, algumas das quais se encontravam em vias de extinção. Entremos nos segredos, portas adentro no laboratório, e nas memórias de Jorge Reis. Antes, preciosa nota. “A qualidade do vinho vem da terra”, assinala Miguel Magalhães.

“O tempo certo do vinho” iremos provar, um Encruzado, eu, provador da Adega da Prebenda bebo só e avinho-me, com um cigarro.

O Encruzado, de que falaremos mais tarde, não desmerece, antes pelo contrário, o Centenário.

Cem anos de Quinta de Reis, celebrados com trabalho e investimento. O sussurro da genética perpassa pela conversa e tudo com uma manhã em que desci o Dão e farejei história. Da boa.

A Quinta dos Reis, situada em Viseu, é uma propriedade vinícola com uma história rica e longa, que remonta a meados do século XIX. A paixão pela viticultura é uma estória contada, transmitida de geração em geração, e a família Reis continua a inovar na produção dos seus vinhos, combinando a tradição com as mais modernas técnicas de vinificação. O resultado é a produção de vinhos de qualidade superior, que têm conquistado o reconhecimento em Portugal e no estrangeiro.

E abalo-me, pela mesma Nacional 231 que me trouxe.

Não, sem antes levar uma outra história. A Ponte Pinoca, que atravessa o Dão e separa dois concelhos, Viseu e Nelas. Contam os antigos que para afastar sorte pouca, e garantir a solidez da obra, comeu-se ali mesmo uma porca, a que chamaram, carinhosamente de “Pinoca”. Ficou assim a ponte na memória das gentes da região.

Eu saí da Quinta de Reis cheio de conhecimento, feliz e com duas botelhas. Um tinto Wine Note e um rosé feito de Jaen, que haverei de beber com as primeiras castanhas deste Outono, que já se pressente.

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