Pedra d’Orca Reserva Branco 2025


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Pedra d’Orca Reserva Branco 2025

Uma botelha simples, séria e muito à mesa. Veio para finalizar o repasto, depois de uns rosés, um pouco de Douro e algum Alvarinho. Sim, também precisamos variar para darmos valor ao que temos. Em noite quente, de petiscos e muita conversa, surgiu esta botelha, vinhas de altitude, de cor límpida e boa acidez.

É um Pedra d’Orca Reserva Branco 2025, da Adega Cooperativa de Vila Nova de Tazem, na sub-região da Serra da Estrela. No rótulo encontramos Malvasia Fina, Encruzado e Cercial Branco, um lote que diz bastante sobre aquilo que esperamos encontrar num branco desta parte mais alta do Dão, frescura, alguma contenção aromática e uma acidez que não deixa o vinho cair.

A colheita de 2025 foi particularmente interessante para a região. Depois de uma Primavera marcada pela chuva, o Verão trouxe calor e secura, permitindo boas maturações e uma vindima em condições secas. A avaliação disponível para o Dão aponta para uma colheita de qualidade alta a excelente. É um daqueles anos em que a acidez, tão importante nos brancos da região, tinha tudo para encontrar no calor a maturação necessária sem perder a sua espinha dorsal.

E aqui está uma das virtudes deste Pedra d’Orca, não tenta ser aquilo que não é. Não procura a exuberância tropical de um branco internacional, nem aquela fruta demasiado perfumada que por vezes serve para esconder a falta de estrutura. O nariz é relativamente discreto, com fruta branca, alguma componente citrina e uma sensação mineral que combina bem com a matriz granítica e de altitude do Dão.

Na boca é onde a coisa se torna mais interessante. A acidez está presente e dá ao vinho uma boa tensão, sem o tornar agressivo. Tem corpo suficiente para não parecer apenas um vinho de Verão e, ao mesmo tempo, mantém aquela leveza que pede outra prova. Há fruta branca, citrinos e uma componente ligeiramente vegetal, tudo num conjunto bastante limpo.

O Encruzado ajuda aqui a dar estrutura e alguma elegância; a Malvasia Fina acrescenta dimensão aromática, enquanto o Cercial contribui para o lado mais fresco do conjunto. Não é um branco para ficar a dissecar durante meia hora. É, sobretudo, um vinho para estar à mesa. E talvez seja precisamente aí que ele ganha, uma mesa onde a conversa vai longa, encontra o seu lugar sem pedir demasiada atenção. É um vinho que acompanha em vez de interromper.

Há também uma coisa que me parece importante dizer, estamos perante uma garrafa que aparece atualmente no comércio especializado por cerca de cinco euros. A esse preço, a fasquia não pode ser a de um grande Encruzado de parcela ou de um branco de guarda de vinte euros. A comparação tem de ser feita dentro da sua categoria. E, nesse campeonato, o Pedra d’Orca apresenta argumentos bastante sérios.

Não é um vinho monumental. Não pretende ser. Falta-lhe alguma profundidade e persistência para subir verdadeiramente de patamar, e o final, embora fresco e agradável, não fica na memória durante muito tempo. Mas também não é isso que lhe estamos a pedir.

É um branco do Dão que cumpre a sua função com dignidade, fresco, equilibrado, gastronómico e sem artifícios.

E depois de uma mesa com rosés, Douro e Alvarinho, há qualquer coisa de particularmente feliz em terminar a noite no Dão. Afinal, variar também é uma forma de percebermos melhor aquilo que temos.

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