Adega de Penalva Milénio Tinto 2023


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Adega de Penalva Milénio Tinto 2023

Pensei nele mal o Outono se assumiu e enquanto deambulava pela cidade, afocinhado nas emoções e nos exames para fazer. A combinação de Touriga Nacional e Aragonez, ou Tinta Roriz, puxou-me ao fogão para um arroz, umas alheiras de Mirandela e uns ovos de estrelar, acompanhados de umas batatas fritas de forno. Melhor me soube, um vinho que é muito mais interessante do que os €3,62, no supermercado, fazem parecer. E o rótulo conta uma história bastante bonita, é um Dão de cooperativa, de uma zona vitivinícola histórica, feito para a mesa e não para impressionar numa prova de 20 minutos.

O Milénio Tinto 2023, da Adega Cooperativa de Penalva do Castelo, um DOC Dão produzido a partir de Touriga Nacional e Tinta Roriz, também conhecida como Aragonês. É um vinho com 13% de álcool, e o próprio rótulo indica uma temperatura de serviço de 18 ºC, de Outono, portanto. Cor rubi, aroma frutado e atraente, sabor intenso, taninos marcados, frescura de boca e final longo. A vinificação foi feita em cubas de inox com temperatura controlada e o vinho tem uma breve passagem por barrica, pressente-se, mas não se insinua. É, portanto, um tinto relativamente jovem, concebido para preservar fruta e frescura, mas com estrutura suficiente para acompanhar comida.

As duas castas também explicam bastante do perfil. A Touriga Nacional é uma das grandes castas portuguesas e uma das castas emblemáticas do Dão. Dá normalmente aromas florais e de fruta preta, estrutura, cor e tanino. A Tinta Roriz/Aragonês acrescenta fruta vermelha e preta, corpo, cor e uma componente mais especiada e terrosa. Juntas, dão um vinho que não pretende ser excessivamente pesado ou alcoólico, mas que tem suficiente estrutura para funcionar muito bem à mesa.

E há uma coisa bastante interessante por trás desta garrafa, a dimensão da Adega Cooperativa de Penalva do Castelo. A cooperativa foi fundada em 1960 por 11 viticultores e começou a receber uvas em 1967. Atualmente reúne cerca de mil associados e trabalha com mais de 1.200 hectares de vinha. A produção ronda os 7 milhões de litros de vinho por ano, com aproximadamente um milhão de garrafas engarrafadas e cerca de dois milhões de litros comercializados em bag-in-box. Uma parte significativa da produção é também vendida a empresas engarrafadoras da região do Dão.

Ou seja, esta garrafa de quatro euros, andamos a vender o vinho barato, não vem de uma pequena produção artesanal de meia dúzia de hectares. Vem de uma enorme estrutura cooperativa que agrega a produção de centenas de viticultores de Penalva do Castelo e da região envolvente. É precisamente o modelo cooperativo: muitos produtores entregam as uvas e a adega transforma essa produção num produto comum, permitindo escala e comercialização. E, sim, com alheira e ovos estrelados, a combinação faz todo o sentido.

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