É o segundo de três restaurantes aqui no bairro, está no meio, seja a subir ou a descer a rua, e chegámos lá, a caminho de casa, vindos de uma esplanada em Jugueiros, bebidos a branco e com ganas de quem já via o fim de semana.
Assim se abriu o apetite para uma paragem no Rude – Especialidades Españolas, em Viseu.



A mesa começou por compor-se com os indispensáveis petiscos ibéricos: pão fresco, azeitonas, um bom azeite e umas belas Gildas — aquela combinação perfeita de azeitona, malagueta e anchova que nos transporta logo para uma tasca castiza. Acompanhámos com umas Croquetas de Gamba bem crocantes, as inevitáveis Patatas Bravas e uma tábua de queijos artesanais, entre eles um Manchego de cura prolongada. Pena foi o doce na tábua, costume português que não é hábito do lado de lá da Raia e a que não acedi.
Para prato principal da noite, fomos rendidos pelo Negro Llauna, choquinhos e uns tentáculos grossos de polvo, que ficavam melhor menos cozidos e mais rijos, dispensa oblige.



No copo, a escolha recaiu num rosé Dona Sancha, de que vos conto aqui ao lado, a regar a conversa e a boa disposição de uma familía a jantar numa quinta-feira à noite. Atendimento atento e profissional e um senão que merece nota, a seleção de vinhos brancos da região é manifestamente escassa. Ora, isto seria perfeitamente normal num espaço de comida espanhola se os vinhos “do lado de lá” estivessem devidamente representados, o que não acontece, apesar da robustez da carta vínica. Entre as ausências mais sentidas está o Ribeira, da mítica região da Ribeira Sacra, na Galiza, que é de longe o meu preferido. Falar de vinhos galegos sem contar com a mineralidade, a frescura e a elegância de um bom Ribeira, frequentemente centrado na casta Godello, deixa um vazio agridoce na garrafeira de uma casa que se quer especialista nos sabores de Espanha.



O encómio atingiu os 98,40 euros, manifestamente caro, quando se cobram 2 euros por um fio de azeite ou 2,30 por um refrigerante. Voltando à rua, é um japonês, um espanhol, com manias de conceito e merchandising a preceito e um brasileiro, versado em grelha. Ganha a cidade, mais cosmopolita e o bairro. Mas é preciso assestar o binóculo na realidade, ainda assim, casa composta para uma quinta-feira à noite, que pode sinalizar que o erro seja meu. Mas a carteira também.
No final fico a torcer para que afinem a agulha na carta de vinhos, porque de resto, o espírito de bairro e a vontade de petiscar estão lá todos.









