De viagem, a regressar do Sul, passei uma atribulação para completar uma reportagem em Santa Comba Dão e registar o boletim das apostas, coisa que apenas consegui no Intermarché. Sabendo de antemão que a chegar a casa iria querer conversa e vinho, peguei em duas botelhas de branco, do Clube de Produtores da insígnia de comércio. Foram 6,08 euros por duas botelhas. Produzido pela União Comercial da Beira, antes provei o colheita, minha Mulher achou-o fraquito e guardei o Reserva para entrar no almoço domingueiro. E que dizer dele?



Há vinhos que nos entram pelos olhos a pedir palco, e este Seleção de Enófilos Reserva de 2023 tem tudo para baralhar as contas a quem torce o nariz aos rótulos de grande superfície. Nascido lá para os lados de Carregal do Sal, pelas mãos da União Comercial da Beira, este branco prova que o Dão continua a ser uma mina de ouro em termos de elegância e preço-prazer.
Ao servir no copo, logo se percebe um tom citrino límpido com reflexos esverdeados que denunciam a juventude da colheita. No nariz, não se fica com meias medidas, a fruta amarela madura assume o comando, bem acompanhada por uma lufada de frescura cítrica e aquela leve pitada de madeira que parece ter sido medida a compasso, dá complexidade sem sufocar o vinho.
Entremeado com torresmos do redanho e umas chamuças, topei-o na boca, onde a magia do Dão acontece de verdade. Tem aquele volume simpático, redondo quanto baste, culpa da Bical e da Malvasia Fina, mas com a acidez vibrante do Cerceal-Branco a puxar os cordelinhos para que o final se aguente fresco, longo e a pedir o copo seguinte.
É o parceiro ideal para uma mesa descontraída, uma entrada de sendeiro para um almoço, que vos conto aqui em cima. Um achado honesto que nos faz lembrar porque é que gostamos tanto de revisitar os clássicos da nossa região.








