
Eis um Dão à antiga, boa adstringência ou rudeza se a palavra não vos assustar, bons taninos, melhor fruta que se traduzem num final longo, inquietante, genuíno. Um vinho de lote, com Touriga Nacional, Jaen e Tinta Roriz. Não haja dúvida, a Touriga Nacional sobressai, o Jaen e Tinta Roriz aconchegam a fruta, acrescentam frescura, que o torna apelativo ao olfacto e bastante agradável ao palato.
A vinha da Quinta dos Carvalhiços é um exemplo de ecologia, propriedade da Fundação José da Cruz Moreira Pinto, que recentemente mudou o nome para Fundação São José, sem perder os valores sociais e que nos brinda, e às sacristias, com um autêntico Dão. Dos quase raros. Elegante, com personalidade e identidade. Não se esquece o que se bebe. Nem as vinhas, a 400 metros de altitude, que estão na origem de boas vindimas e melhores vinhos.
O Quinta dos Carvalhiços Colheita Tinto 2022, fermentou em inox, estagiou em barricas de carvalho francês usado, sabedoria de enólogo que melhorou o vinho sem o amadeirar. Intenso, volumoso, de boca cheia e que merecia que eu o deixasse esquecido na garrafeira. Entrou na garrafa com 13º e em loja aparece a 9,70, que este foi uma cortesia do produtor que me ofereceu o portefólio completo.

A vindima de 2022 teve chuva, o que ajudou a calibrar a maturação da Tinta Roriz e da Touriga Nacional. O Jaen é produtivo, amigo do agricultor, por norma o primeiro a vindimar nos tintos. Apesar da meteorologia, a adega recebeu uvas sãs, bonitas, numa vindima que começou cedo, e trouxe vinhos frescos, equilibrados e aromáticos.
De mesa robusta, acompanhou lombos de pescada e uma saborosa feijoada de chocos, este é um vinho com personalidade forte, bom final de boca e um prazer a descobrir, sobretudo aos desatentos senhores da restauração.
De bom nome, é um genuíno e honesto tinto.






