O Dão


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O Dão

Palácios, torres e igrejas…Vozes claras do viver da gente. Um naco de Portugal…Uma bênção do céu. Águas abundantes que jorram por verdes campos, onde homens levantaram monumentos sem conto…Livros abertos para folhear a história…Um bater de coração que vem de longe, desde que Décimo, Petreio e Cássio foram escorraçados pelos pastores que aqui abriram os caboucos da Pátria…

Terra fértil principiada por lusitanos que desceram dos montes para lavrar leiras e lameiros…E desde então que em fins de Setembro, há cheiros de mosto que sobem os vales. Terras generosas e almas francas…

Dão, no coração da Beira, é terra farta…

Quatro rios, cinco serras e meia dúzia de fontes termais… Terra assídua nos anais da história…Berço e destino de ilustres personalidades que aqui saborearam riquíssimas iguarias e finos néctares…Vinho amaciado por mãos rudes e no entanto generosas…Mãos de almas inquietas que afagam a vinha e arrancam das mandibulas das serranias o sustento que torna abastada a mesa e fraterna a amizade…No Dão há todo um mundo, uma janela aberta para este Portugal que tem na Beira o melhor da dispensa…

O Dão encanta-nos pelas paisagens, rasgadas por rios cristalinos que afagam vinhedos carregados de história…Terra aninhada nos contrafortes da Serra do Caramulo de onde jorra a mais pura água de nascente…E cá em baixo, nestes planaltos e vales acolitados pelo Vouga, Dão, Mondego e Paiva, 300 mil almas que reúnem saberes ancestrais e recebem todos como se fora a família que nos visita em dia de boda…

Pão e vinho sobre a mesa vestida com panaria de linho que hoje é dia de romaria…

Afinal este bom povo desde sempre trabalha a terra que aprendeu a respeitar!

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