A Santa da Ladeira faz bons vinhos, como este Rosado de 2022, extraído de Touriga Nacional, casta de que sou bebedor não devoto. E surpreendi-me a engolir travos longos entre um queijo de mistura e uma empanadilha de atum com pimento. Ainda haveria de chegar aos chocos, mas aí, gritei, não esperem por mim.
A Ladeira da Santa tem vinho, creio, desde 2008. Vinho novo. Do velho, talvez desde 1996 – que por misericórdia ainda não conheço a Quinta; quando o professor Arlindo Cunha ali se fez feitor. E bem. Com ele partilho paixão pelo Alfrocheiro e além da Touriga Nacional, a Santa tem ainda Jaen e Tinta Roriz na Ladeira.
Há ali Encruzado, uma pressa que se impõe de beber ao caminho, Borrado das Moscas a que os finos chamam Arinto do Dão, um Gouveio, a Malvasia Fina, Bical de Uva Cão. A Ladeira da Santa tem o que o meu pipo me pede.
Em São João da Boavista, no Sul do Dão já a assobiar ao Açor com Tábua soalheira, moram cubas de inox e barricas de madeira.
A vinha já vai nos dois dígitos, 10 hectares diz-me o algoritmo, meio meio.
Sirvo-me da tinta e da arte de João Cunha para tomar partido. Inclinado. À Ladeira da Santa.
Calhou-me o de 2022, assertivo, limpo, floral e ali um granito, onde já se vê xisto. Mineralidade ligeira.
O ano de 2022 foi um dos anos mais quentes e secos desde que há registos, remontados a 1931. Severo para as videiras, abrigadas as treinadas em cabeça, pouca água, deixa calor e seca.
Colhido e esperando surgiu simples, gostoso, merecimento da fermentação a baixas temperaturas e da pelicula da uva bordejada. Uma cor salmão, como agora é moderno apregoar, ainda vai botar corpo e quem mo dera daqui a dois janeiros.
Um bom miradouro para a tanta Touriga Nacional, com outra veia, que não deixa de ser um vinho do Dão genuíno. E justo. Para levar a sério, mesmo que ainda discreto, há ali volume. Para guardar. Na mesa ou, tendo paciente resistência à tentação, guarde-o.
Persistente, já diz presente se convocado. Custou-me 5,59 euros, em garrafeira, ligeiro para os 12,5º cantados pela alcoolémia.






