O Dão em prosa, roteiro filosófico e vínico em Nelas


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O Dão em prosa, roteiro filosófico e vínico em Nelas

Nelas não é apenas um ponto no mapa; é um coração aberto do tamanho das serranias, onde a terra é de quem a ama e a trabuca. É o lugar onde Dionísio e Baco velam por vinhedos imensos, debruados por oliveiras e castas lendárias. Este roteiro é uma jornada pelas estradas que ligam a história, a filosofia da terra e o vinho que nos sobressalta.

A sua jornada começa em Nelas, onde a Estrela está ao alto e o Caramulo à vista. Este é o concelho que vive uma identidade que se manifesta entre o Dão e o Mondego. A Nacional 234 (N234), que atravessa o concelho, e a Nacional 231 (N231) são as suas vias principais. É aqui que, desde 1946, na Quinta da Cale, se abriga o Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão, uma casa de saberes visionária gizada por Luís Quartin Graça. É o refúgio da mais extraordinária coleção de castas regionais.

No Largo General José de Tavares, o roteiro é abençoado pela Estátua do Escanção, encomendada em 1966, um monumento único em Portugal, que celebra o profissional por excelência na promoção do vinho da região. Abale de Nelas pela N231, seguindo a rota das casas nobres e dos solares, até chegar à histórica freguesia de Santar. Desvie para a Estrada Municipal 602 e lá está ela.

A Casa de Santar oferece uma prova da tradição, numa aldeia que guarda a história do povo, incluindo a Igreja de Nossa Senhora da Tosse, que o povo mudou, pedra por pedra. Continue o seu percurso, usando as estradas municipais para ligar as aldeias históricas que vivem de Vilar Seco à Lapa do Lobo. Esta rota intermédia permite-lhe sentir a paisagem que nos inquieta, com vinhas acolitadas nos pinheiros e laranjeiras que coçam as cepas. Acessos locais através da M567 e outras vias vicinais.

Na Lapa do Lobo, encontrará a Fundação Lapa do Lobo, um exemplo do empenho do concelho em preservar o património, convertendo antigas casas ao abandono em propostas turísticas e culturais.

O roteiro exige uma paragem nas Caldas da Felgueira. As águas termais, que curaram o Padre José Lourenço e se deram a conhecer ao mundo em Paris, 1867, trazem a componente de cura para as maleitas e completam o triunvirato de história, cultura e enoturismo. O apeadeiro em Felgueira recorda a ferrovia que trouxe a indústria e os empregos.

Regresse ao eixo da N234 para explorar quintas de referência que praticam o saber fazer que aqui pegou de estaca. Estes são os lugares de abrolhamentos e gavinhas, onde há que colher e desengaçar. Nelas é este bom povo, paisagem que nos inquieta, uma identidade portuguesa, um vinho que nos sobressalta e um coração aberto. Ao Dão.

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