

Uma cortesia. As gentes da Beira são honestas, honradas e trabalhadores. Os lavradores mais ainda. Foi assim que a um pedido de uma caixa, de várias referências, eu recebi um Encruzado e um Rosé. Seguirá a caixa para o meu amigo consultor, as cortesias também ficaram com engenheiro agricultor. Tranquilo, somos do Dão, “pois então”.
E porquê das prebendas? Temos compliance – que não é arte de adorno, e obriga a não aceitar vinho. Do Dão. Todos os comentados são adquiridos e bebidos, a fatura vai ao guarda-livros, certificado como o vinho.
Assim entrado, é difícil encontrar quinta de porta aberta, ou produtor que nos despache umas caixas, ou nos sirva um copo. Pago, claro. Nestes dias de sol, em que a Beira e o Dão bailam ao vento, as cepas estão maravilhosas. Bons passeios e melhores paragens. Temos de melhorar sinalização, tabuletas e placas e ajudar a quem está, e estão aí as podas, e ajudar a acolher, mostrar, vender e faturar. E, sendo destes, da casa, melhor sabem contar. E ensinar. E o consumidor precisar conhecer. Saber. Perceber.
E nisso, do perceber, vai querela escusada. Confusão de denominações, dificuldades em comprar vinho na hora, ou a tempo. E no rótulo, vasculho castas, lotes, rolhas, garrafa, enólogo. Os da frente bonitos e sofisticados, os do contra, merecedores de pequeno ensinamento. A bem do consumidor. Beber é um prazer, criar um vinho é arte.
Para que um vinho do Dão seja classificado como Reserva, nos tintos reclama estágio, mínimo, de dois anos antes de serem comercializados. Brancos e Rosés precisam de um estágio mínimo de 6 meses. Gosto de guardar todos para mais tarde. E eles, “os todos os três” ainda exigem mais meio grau que os 11º lavrados para classificar a Denominação de Origem Dão.
Os Garrafeira tintos 36 meses de estágio, pelo menos 12 em garrafa. Brancos, 12 meses de estágio, metade na botelha. E também meio grau acima.


Colheita Selecionada é vinho de qualidade superior. Depois o Grande Reserva, e escrevo de memória e com base na legislação, são vinhos de qualidade excecional, previamente marchados à Câmara de Provas, que os aprova. Certeza, a do longo sono do estágio.
Estamos na União Europeia, sujeitos a prova e aprovação pela Comissão Vitivinícola Regional do Dão. São 20 milhões de litros de vinho certificado.
A venda, média, de vinho da região do Dão no mercado nacional vale cinco milhões de litros. Restauração e distribuição escoam, o preço vai aumentando, mais-valias. Para toda a cadeia, dos lavradores aos bebedores.
São 36 milhões de euros, é difícil obter dados concisos e estou em crer que este valor é apenas no país, pois que as exportações totais de vinho português já se abalançam aos 800 milhões, mais mil do enoturismo.
Tenhamos juízo, saibamos preservar, cada garrafa vale entre 3 e 5 euros no mercado internacional, dentro de portas são quatro euros, na distribuição, 6 no retalho e 12 na restauração. Almudes medidos, teremos 6,7 euros por botelha. No país.
É o Dão. E temos de lhe querer mais que bem.






