Na abertura do di Vino Dão


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Na abertura do di Vino Dão

Há uma porta, envidraçada, no número 23 da rua do Carmo, em Viseu, que reúne copos, vinho e saber. Petiscos também.

Só Dão. E livros, até o meu, sobre uma região cheia de potencial e com muito para crescer. Muito saber. E querença.

Balcão à esquerda de quem entra, esplanada para fumadores e comedores, espaço, arte, um bacelo de Touriga Nacional e, até, a simulação do solo e fundo do rio Dão.

Com rodelas de enchidos, e que rica morcela, tapas, tostas e ademais entreténs de boca, atirei-me às provas. Muita conversa, cigarrilhas e adiante que o Dão também é negócio.

Do que provei:

Okey Touriga Nacional Tinto Reserva

Não captei ano, nem grau. Um vinho chato, claramente pensado para a exportação. Na companhia de dois experimentados enófilos, acaso um cirurgião e outra tabelião, fomos certeiros. Redondo e aborrecido. Muita cor e extração.

Diz o engarrafador, produtor?, que a “vindima é feita à mão, uvas com desengace quase total, esmagamento e passagem para lagares em granito onde vai fermentar. Pisa a pé, inox e barricas”.

Parece-me um desperdício da Touriga, numa garrafa que, procurei no exterior, custa 17,90 euros e que se tornou num aborrecimento.

Tazem Reserva Tinto 2021

Proveniente da região do Dão e cultivadas nas encostas da Serra da Estrela, são uvas delicadas, protegidas e que juntam, em lote, Jaen, Touriga Nacional e Tinta Roriz. Amansa-se, preços do exterior, aos 8,49 euros e mostrou-se robusto, amadeirado e muito fresco. Um generoso blend, da Adega Cooperativa de Tazem. Boa companhia e falador.

Udaca Touriga Nacional 2020

Esta Touriga Nacional, frutada, pesada, intensa e final longo. Bom para a mesa, a pedir comida robusta, com uma personalidade única, a que não serão alheios os 5,99 euros do importe, cor rubi, aromático e fácil de beber.

Não provei todos, verifiquei a estantaria e há lá coisas muito boas, faltam garrafas dos pequenos produtores, mas nota-se o amor da Virgínia pelos vinhos e saberes, do Pedro pela sustentabilidade e conhecimento.

E, ouçam o que vos digo, é preciso muita energia, coragem, de bolsos e pensamento, para nos alavancarmos a um empreendimento destes.

Lá estava o Presidente da Câmara Municipal de Viseu e outros produtores e enólogos, da Comissão, garanto, não vi ninguém. E deviam estar. Para conhecer o negócio, que é de lavradores e comerciantes.

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